Parceria entre Brasil e EUA não se abala com discórdias, dizem pesquisadores
Troca de cartas entre Obama e Lula não é problema, dizem analistas.Para professor, países são como dois amigos que não estão sempre juntos.
De fato, o contato entre os dois presidentes se deu de forma aparentemente amigável e respeitosa, mas deixou claro que, em um ano em que o Brasil atuou de forma intensa tentando ganhar prestígio no cenário da política internacional, seja em Honduras, na Colômbia, no Oriente Médio ou mesmo na relação bilateral com os próprios EUA, os dois países pensam de forma diferente em muitas das questões mais importantes para o mundo atual.
Veja abaixo os principais pontos de discórdia entre Brasil e Estados Unidos
Segundo Steven Topik, chefe do departamento de história da Universidade da Califórnia em Irvine, que estuda a história do Brasil e da América Latina, o interesse norte-americano no Brasil diminuiu desde 2001.
O envio da carta de Obama, explicaram os pesquisadores, serviu para mostrar que, mesmo sem dar tanta atenção quanto o Brasil merece, o "amigo" do norte continua ali, e não quer perder prestígio, nem mesmo quando alguém com quem tem uma disputa, o Irã, visita a casa do amigo.
"O Brasil sempre tentou equilibrar os diferentes poderes do mundo, e isso está acontecendo agora, com a visita de Ahmadinejad. Isso começou bem antes, e a situação agora é diferente porque a posição brasileira é mais forte. É a postura comum do Brasil de parecer romper", disse, alegando, entretanto, que isso faz parte do jogo da política internacional, e que não ameaça a relação com os Estados Unidos. Ele disse ainda que em 30 anos de estudo do Brasil, nunca encontrou exemplos práticos de uma "dependência real" do Brasil em relação aos EUA, sendo a relação muito mais equilibrada de que se pensa.
É a mesma opinião de O'Keefe. "A relação entre os dois países tem se tornado cada vez mais uma parceria. Não é mais o que houve no passado, em que o Brasil estava sob a hegemonia dos Estados Unidos. A relação amadureceu bastante no sentido de que há o entendimento de que o Brasil nem sempre vai seguir 100% a liderança dos Estados Unidos. E como é uma parceria, os Estados Unidos também vão ter que ceder em algumas áreas. Não chamaria de relação de dependência, a não ser que seja uma dependência mútua, que em muitos casos o Brasil pode estar à frente por conta de sua hegemonia regional na América do Sul", disse.
Segundo William Ratliff, pesquisador e curador no Instituto Hoover com experiência em América Latina e em política externa norte-americana, o governo Obama pensa que dois países na América Latina são centrais para os interesses dos Estados Unidos no Longo prazo: Brasil e México.
"A maioria das pessoas nos Estados Unidos estão impressionadas com muitas das políticas internas do governo Lula da Silva. Em assuntos internacionais, os EUA têm muita esperança, mas também alguma preocupação com o que o Brasil pode fazer. Há vastas áreas com potencial de cooperação, e mesmo o ex-presidente Bush teve uma atitude positiva em relação a esse potencial. Em meses recentes, vários assuntos apareceram nessa relação perturbaram as vibrações potencialmente positivas", disse, ressaltando que não há ruptura.
Continua aqui http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1401819-5602,00-PARCERIA+ENTRE+BRASIL+E+EUA+NAO+SE+ABALA+COM+DISCORDIAS+DIZEM+PESQUISADORES.html



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